Reabilitação do tráfego ferroviário entre a Linha do Douro e Salamanca
O que está em causa é um troço português, de 28 km, entre o Pocinho e a fronteira de Barca de Alva, e um troço espanhol, com cerca de 75 km, entre esta fronteira e La Fuente de San Esteban o ponto de enlace no trajeto ainda em serviço, entre Vilar Formoso e Salamanca.
Seria uma homenagem à burguesia do Porto que, no final do século XIX, investiu na expansão do comércio com o interior da Península. Foi em 9 de Dezembro de 1887 que a ligação a Salamanca foi inaugurada, depois de uma ousada aventura técnica, para vencer um desnível inicial de 330 metros em apenas 16,5 km, entre Barca d’Alva e La Frejeneda (10 pontes metálicas, 20 túneis e uma muito elevada inclinação média – 2%). Este troço é tão impressivo, que foi objeto de classificação pelo governo espanhol como Bien de Interés Cultural (BIC).
Em 2019, ocorreu uma petição que reuniu 12.000 assinaturas, sob a égide da Liga dos Amigos do Douro Património Mundial, com o intuito de reabrir a Linha do Doutor até ao planalto castelhano.
Nesta matéria, temos custos de contexto: o troço espanhol representa cerca de 3/4 do percurso e apresenta maiores condicionamentos, tanto técnicos como de traçado (recuperação de pontes metálicas; túneis que precisam ser alterados; inclinações de traçado muito elevadas); mais penalizante é o facto do território entre Barca d’Alva e La Fuente de San Esteban ser dos mais desertificados e pobres de Espanha.
Contudo, verificam-se oportunidades: sustentabilidade económica da operação com a dinamização do corredor turístico entre Valladolid e o Porto (salientar as sinergias da ligação do planalto castelhano raiano no Parque Natural das Arribas do Douro e do Águeda com as terras de Riba Côa e os Parques Arqueológicos do Vale do Coa e a Zona Arqueológica de Siega Verde com o Douro Património Mundial e, finalmente, aproximar este MIX com as realidades sociais, económicas e culturais entre os dois centros urbanos do Porto e de Valladolid).
Mobilizar será a palavra de ordem.
Outros projetos de mobilidade:
Conclusão do eixo rodoviário das ligações Vinhais entre Bragança e Puebla de Sanabria
Novas propostas de ligações ferroviárias transfronteiriças: Bragança/Zamora, Aveiro/Salamanca, Faro/Sevilha e Elvas/Sevilha