Mensagem do Presidente

Não volto as costas ao chão que viu nascer os meus pais e ao qual nunca renegaram as suas origens: a Montanha.

Carlos Soares Alves
Presidente da Direção Ecomontis
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No interior, conheço-te.

As raízes… em Trás-os-Montes e na Beira Interior

Sendo um privilegiado, porquanto nasci e vivi na Capital – Lisboa – não me esqueço das origens, pois os meus progenitores tiveram que rumar a Lisboa, há mais de 70 anos, à procura de melhores condições de vida.
O progenitor era transmontano e oriundo de família numerosa, tendo ainda conseguido obter a 4.ª classe.
A progenitora era beirã, oriunda também de família numerosa, analfabeta, pois, ainda novita, viu-se obrigada a assumir a condição “serviçal”, para ajudar os seus pais no sustento dos irmãos mais novos.
Sou um fruto daquilo a que se chama o elevador social, mercê do trabalho, suor, amor e dedicação dos meus pais.
Conseguiram-no e não posso deixar de honrar os pergaminhos que me legaram, assente no vetusto adágio, que sempre me recordaram: “aquilo que o berço dá, nem a enxada o tira”.

Quanto ao meu saudoso pai, esse ingressou nas fileiras da força de segurança da Polícia de Segurança Pública, no Comando de Lisboa, e aí percorreu todo o percurso profissional até 1991, donde se aposentou no posto de comissário, afeto, na altura, à Direção Administrativa da Polícia de Segurança Pública de Lisboa, com sede no Chiado, no edifício contíguo ao antigo Governo Civil de Lisboa.

Em relação à minha querida mãe, essa manteve-se, aos longos dos anos, a ser o grande pilar da família, pois sem ler nem escrever soube ensinar e transmitir a sabedoria da Vida.

Cabe, então, estabelecer a aliança entre as terras singelas do Reino Maravilhoso de Miguel Torga e as Terras do Demo de Aquilino Ribeiro com a Lisboa de Eça de Queirós, quando este escritor não deixou de realçar uma apropriação ilegítima do País por Lisboa.

Não me esqueço da forma bela e atual como Eça de Queirós retratou: “- Lisboa é Portugal (…). Fora de Lisboa não há nada. O País está todo entre a Arcada e São Bento (in, Os Maias, Lisboa, Livros do Brasil, p. 170). Mas, noutra obra de Eça de Queirós, o requinte de malvadez literário – que me aguça a adesão por este escritor -, sobre esta dicotomia, assume o seu expoente máximo, quando refere: “- Nós os Portugueses pertencemos todos a duas classes: uns cinco a seis milhões que trabalham na fazenda, ou vivem nela a olhar, como o Barrolo, e que pagam; e uns trinta sujeitos em cima, que formam a parceria, que recebem e que governam”. (in A Ilustre Casa de Ramires, Edição de Elena Losada Soler, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1999, p. 180).

Aqui chegados, posso garantir que convivo bem com a minha condição de ter nascido em Lisboa e aí me ter formado e continuado a viver até aos meus 26 anos, ainda que agora resida no Porto, pois a província mantém-se aquele reduto, onde o ser humano encontra a sua condição ínfima, capaz de acolher o bálsamo necessário para fazer face a esta Metrópole que nos tritura, caso não consigamos arranjar um tempo para o nosso tempo.

Desta vez, as terras singelas do Reino Maravilhoso de Miguel Torga bem como as Terras do Demo de Aquilino Ribeiro souberam ombrear, através da simplicidade, os territórios barulhentos e opacos da Metrópole do Reino.

A uma sociedade portuguesa, que vive constantemente com a tradição da pobreza, assente na inveja, impregnada da cultura do pântano do alheio, com laivos de requinte de maledicência, temos que dizer: basta.

Agora, é tempo de adicionar, congregar e tomarmos consciência que só conseguimos vencer se formos ambiciosos, produtivos, competitivos, inovadores e lutarmos pelo nosso Futuro.

Um Futuro que se inicia hoje, que não adia, pois foi assim que os meus educadores, professores e benfeitores me aconselharam, ao longo deste percurso humano e profissional: a eles muito devo o facto de ter almejado o topo da carreira profissional na Administração Pública, assim como o grau académico de doutoramento em direito económico-financeiro, com um percurso universitário quer nacional quer internacional, e ainda a condição de Advogado bem como de administrador de empresas e também de auditor do Banco Central Europeu.

Só reforçar a memória daqueles que nos antecederam e nos deram o adubo necessário, para que o sonho se tornasse realidade, bem como ser grato aos demais contemporâneos, é que nos dá a fibra adequada para percebermos que sozinhos nunca lá iremos.

O futuro… na “lezíria”

Iniciei a minha atividade na função pública a 1 de setembro de 1997, tendo inaugurado, por sorte, o lugar de primeiro técnico superior jurista da Câmara Municipal de Santarém – a zona do Montado. Terra que viu nascer as minhas filhas, Santarém, capital do Ribatejo.
Voltaram a surgir os meus pais, que já habituados a Lisboa, quiseram amiúde visitar as suas netas em Santarém – capital do Gótico. Essas netas que não abdicavam de no período de férias e com os avós na aldeia, onde está a sede desta AGÊNCIA, assimilarem que as galinhas punham ovos, que as batatas vinham da terra, que as videiras davam uvas e daí provinha o vinho. Nessa altura, obtiveram outros ensinamentos que lhes fizeram bastante proveito.

Reconhecido pelo sucedido e orgulhoso por perceber que elas também estão agradecidas aos territórios e às gentes que, outrora, foram berço para os seus avós. Agora, entre Chaves e Faro existe a mítica e emblemática EN2, que curiosamente liga os dois berços que viram nascer os meus progenitores: Vidago e Tondela.

Temos constatado que a EN2 se apresenta como a linha divisória que separa duas realidades: o Litoral e o Interior. Na verdade essa nunca foi nem será a sua missão, porquanto a função deste traçado rodoviário se resumiu em convergir e não em separar.

Agora, assume maior pertinência a nossa missão, uma vez que o objetivo desta AGÊNCIA IBÉRICA DA ECONOMIA DA MONTANHA E DO MONTADO é derrubar esse muro imaginário e alargá-lo para além dos limites do espaço português e afastar o isolacionismo destes territórios e das gentes, que aí habitam, em prol do intercâmbio dos costumes, das tradições, dos interesses, dos negócios, dos projetos de vida tendo por base a defesa da marca: INTERIOR IBÉRICO.

Jamais esquecer as nossas raízes, pois a memória é a nossa matriz, mas apostados na seguinte preocupação: se queres uma Europa, nos moldes como recebeste, prepara-te para construíres um Interior Ibérico mais coeso.